segunda-feira, 18 de outubro de 2010

(in)certa

Num suspiro de alma
foi desfolhado um coração
como as páginas
de um livro em branco
uma imagem
se gravou em silêncio
em cada uma delas

Numa incerteza
abriu as asas frágeis
marcadas de rasgos
intemporais desiguais

Com medo caminhava
lentamente
ouvia os suspiros
de tempos passados
trazidos pela brisa nocturna

Sentiu o frio polar
no rasgar
das folhas de um outono
esquecido

Aconchegou-se
e esqueceu-se
na certeza de uma vida
(in)certa

1 comentário:

disse...

Belíssimo poema. Gostei!!!